O Problema Não É Envelhecer. É Sentir Que Já É Tarde.
Envelhecer nunca me assustou verdadeiramente.
O que assusta muitas pessoas não é o passar dos anos.
Não são as rugas.
Não são os cabelos brancos.
Não é o corpo que muda.
O que assusta é algo muito mais profundo.
É olhar para trás e pensar:
"Onde foi que o tempo foi parar?"
É perceber que os anos passaram enquanto cuidávamos dos outros, trabalhávamos, resolvíamos problemas, pagávamos contas e tentávamos sobreviver aos desafios da vida.
Um dia acordamos e damos por nós a fazer contas.
Contas aos sonhos que ficaram por realizar.
Às viagens que ficaram por fazer.
Aos projetos que ficaram na gaveta.
Às palavras que nunca foram ditas.
À vida que foi sendo adiada para um dia mais tarde.
E talvez seja por isso que tantas pessoas dizem ter medo de envelhecer.
Porque, no fundo, aquilo que as assusta não é a idade.
É a sensação de que já não vão a tempo.
Vivemos numa sociedade que glorifica a juventude.
Parece existir uma idade certa para tudo.
Uma idade para estudar.
Uma idade para casar.
Uma idade para ter filhos.
Uma idade para mudar de carreira.
Uma idade para começar um negócio.
Uma idade para ser feliz.
E quando ultrapassamos essas fronteiras invisíveis, começamos a ouvir uma voz silenciosa dentro de nós.
Uma voz que pergunta:
"Será que já é tarde para mim?"
Talvez seja tarde para algumas coisas.
Talvez nunca venhamos a ter vinte anos novamente.
Talvez algumas oportunidades tenham realmente passado.
Mas a questão mais importante é outra.
Será que ainda estamos vivos?
Enquanto houver vida, existe possibilidade.
Possibilidade de aprender.
Possibilidade de amar.
Possibilidade de mudar.
Possibilidade de recomeçar.
A verdade é que muitas pessoas deixam de viver muito antes de envelhecerem.
Desistem dos seus sonhos.
Desistem da curiosidade.
Desistem da capacidade de se surpreenderem.
Desistem de acreditar que algo novo ainda pode acontecer.
E é essa desistência silenciosa que envelhece verdadeiramente uma pessoa.
Conheço pessoas com oitenta anos que continuam curiosas, interessadas e cheias de vida.
E conheço pessoas com quarenta que já desistiram de si próprias.
A idade cronológica conta uma história.
Mas não conta a história toda.
Existe uma diferença enorme entre envelhecer e abandonar-se.
Envelhecer é inevitável.
Abandonar-se é uma escolha.
Talvez o verdadeiro desafio não seja parecer mais jovem.
Talvez seja continuar presente na própria vida.
Continuar a fazer perguntas.
Continuar a aprender.
Continuar a sonhar.
Continuar a construir significado.
Porque, no final, aquilo que mais pesa não são os anos que passaram.
São os anos que passámos à espera do momento perfeito para começar.
E talvez esse momento nunca tenha existido.
Talvez a vida sempre tenha sido isto.
Imperfeita.
Incompleta.
Cheia de incertezas.
E, ainda assim, cheia de possibilidades.
Por isso, se existe algo que gostaria de lhe deixar hoje, é esta reflexão:
Não pergunte quantos anos tem.
Pergunte-se antes:
"Estou verdadeiramente a viver os anos que tenho?"
A resposta a essa pergunta poderá ser muito mais importante do que qualquer número.
Cândida Oliveira
Terapia Emocional • Hipnoterapia • Desenvolvimento Pessoal
www.candidaoliveira.pt

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