Ninguém Cuida de Mim Como Eu Cuido dos Outros
Há uma frase que muitas pessoas nunca dizem em voz alta.
Mas sentem-na.
Sentem-na quando estão sozinhas.
Sentem-na quando chegam a casa.
Sentem-na depois de mais um dia a resolver problemas que não eram seus.
A frase é esta:
"Ninguém cuida de mim como eu cuido dos outros."
E o mais doloroso é que, muitas vezes, essa sensação não nasce da falta de amor.
Nasce da falta de reciprocidade.
A pessoa que está sempre disponível
É aquela que atende o telefone.
Que ajuda.
Que ouve.
Que compreende.
Que perdoa.
Que se adapta.
Que faz mais uma vez aquilo que ninguém quis fazer.
Durante anos, esta forma de estar pode parecer uma qualidade.
E é.
Mas existe uma diferença entre ajudar por escolha e ajudar porque não sabe fazer outra coisa.
Quando cuidar dos outros se torna uma identidade
Algumas pessoas aprenderam desde cedo que o seu valor estava ligado àquilo que faziam pelos outros.
E sem se aperceberem, cresceram com uma ideia silenciosa:
"Se eu for útil, serei amada."
"Se eu ajudar, não serei abandonada."
"Se eu estiver sempre disponível, terei um lugar."
O problema é que estas regras invisíveis têm um preço.
Com o tempo, a pessoa deixa de perguntar o que precisa.
Passa apenas a responder ao que os outros precisam.
O ressentimento que ninguém vê
Existe um momento em que surge o cansaço.
Um cansaço diferente.
Não físico.
Emocional.
A pessoa continua a ajudar.
Continua a sorrir.
Continua a dizer que está tudo bem.
Mas lá dentro começa a crescer uma pergunta:
"Porque é que sou sempre eu?"
Porque sou eu que telefono.
Porque sou eu que compreendo.
Porque sou eu que cedo.
Porque sou eu que cuido.
E essa pergunta traz consigo tristeza, mágoa e, por vezes, culpa por sentir essas emoções.
O problema não é ser generosa
O problema nunca foi a generosidade.
O problema surge quando a pessoa acredita que precisa de merecer amor através do esforço constante.
Quando sente que só tem valor enquanto está a dar alguma coisa.
Quando se esquece de que também tem necessidades.
Também tem limites.
Também merece cuidado.
Talvez a pergunta não seja sobre os outros
Talvez a questão não seja:
"Porque ninguém cuida de mim?"
Talvez a pergunta seja:
"Porque continuo a aceitar relações onde apenas eu cuido?"
Esta pergunta pode ser desconfortável.
Mas é muitas vezes aqui que começa a mudança.
Porque quando reconhecemos o nosso valor, deixamos de procurar constantemente provas dele nos outros.
E quando isso acontece, algo muda.
Não apenas nas relações que escolhemos.
Mas na relação que construímos connosco próprios.
Cândida Oliveira
Terapia Emocional • Hipnoterapia • Desenvolvimento Pessoal
www.candidaoliveira.pt

Comentários
Enviar um comentário