Há pessoas que não conseguem relaxar em silêncio. E isso não é falta de calma.
Vivemos numa época em que quase tudo faz barulho.
Televisão ligada.
Música constante.
Notificações.
Vídeos curtos.
Scroll infinito.
Conversas.
Ruído mental.
E para muitas pessoas, o silêncio tornou-se desconfortável.
Há pessoas que dizem querer paz, descanso e tranquilidade… mas quando finalmente param, sentem ansiedade, inquietação ou necessidade imediata de voltar a ocupar a mente com alguma coisa.
Como se ficar em silêncio fosse demasiado difícil.
E muitas vezes isso não tem a ver com falta de calma.
Tem a ver com aquilo que o silêncio começa lentamente a revelar.
Quando uma pessoa vive demasiado tempo em estado de adaptação constante, o sistema nervoso habitua-se ao movimento, ao estímulo e à distração. O corpo aprende a funcionar em alerta. E parar pode começar a parecer estranho, vazio ou até ameaçador.
Algumas pessoas só conseguem adormecer com televisão.
Outras precisam de estar constantemente ocupadas.
Outras sentem necessidade de pegar imediatamente no telemóvel sempre que existe um momento de pausa.
Não porque sejam fracas.
Mas porque o silêncio cria contacto interno.
E quando alguém passou demasiado tempo afastado de si próprio, esse contacto pode tornar-se desconfortável.
O silêncio abranda o ruído exterior.
E é precisamente nesse momento que muitas emoções começam finalmente a aparecer:
cansaço, ansiedade, tristeza, vazio, solidão ou simplesmente a sensação de já não saber estar consigo próprio.
Por isso, aprender a relaxar não passa apenas por “descansar”.
Passa por reaprender lentamente a estar presente sem precisar de fugir constantemente para o estímulo, para o fazer ou para a distração.
O problema não é o silêncio.
Muitas vezes, o problema é que passámos demasiado tempo sem verdadeiramente nos escutarmos.
Cândida Oliveira
Terapeuta • Hipnoterapia • Meditação Terapêutica
📍 Loulé, Faro e online
🌐 www.candidaoliveira.pt

Comentários
Enviar um comentário