Porque é que achamos que sabemos o que nos faz felizes, e quase sempre estamos errados.
A maioria das pessoas acredita que sabe o que a faz feliz.
E vive anos, às vezes uma vida inteira, com base nessa ideia.
Mas há um problema silencioso:
muitas dessas certezas não são escolhas conscientes.
São adaptações.
1. A felicidade que aprendemos não é a felicidade que sentimos
Desde cedo, aprendemos o que é “certo”.
Ser responsável.
Ser disponível.
Ser compreensiva.
Não falhar.
E, pouco a pouco, vamos associando estas características àquilo que nos dá valor.
O problema é que este “valor” não nasce de dentro.
Nasce da forma como fomos reconhecidos.
E isso cria uma ilusão perigosa:
✔ começamos a confundir aceitação com felicidade
2. Quando a vida faz sentido… mas não se sente bem
Muitas pessoas chegam a um ponto onde, aparentemente, está tudo bem:
✔ Têm uma relação
✔ Têm estabilidade
✔ São vistas como pessoas “fortes”
E mesmo assim…
Sentem um vazio difícil de explicar.
Uma insatisfação constante.
Uma sensação de estarem a viver uma vida que não é totalmente delas.
Isto não é ingratidão.
Nem falta de objetivos.
É desalinhamento interno.
3. O papel invisível que condiciona tudo
Grande parte deste desalinhamento vem de um padrão profundo:
✔ a necessidade de manter o lugar através da utilidade
Ser quem resolve.
Quem ajuda.
Quem sustenta.
E, muitas vezes, sem perceber, a pessoa constrói toda a sua identidade à volta disso.
O problema?
Quando deixa de fazer esse papel… sente que perde valor.
E por isso continua — mesmo quando já não faz sentido.
4. A verdadeira pergunta que quase ninguém faz
Em vez de perguntar:
✔ “O que me faz feliz?”
a pergunta real deveria ser:
✔ “Quem me tornei para ser aceite?”
Porque enquanto não houver consciência disso,
todas as escolhas vão continuar a partir do mesmo lugar.
5. O início da mudança (e porque é desconfortável)
A mudança não começa com mais esforço.
Começa com ruptura.
Com a capacidade de olhar para si própria e reconhecer:
– Onde está a viver em função dos outros
– Onde está a manter versões de si que já não fazem sentido
– Onde está a confundir amor com adaptação
E isto não é confortável.
Porque implica perder referências internas que deram segurança durante anos.
Mas é exatamente aqui que começa algo real.
A felicidade não é algo que se encontra.
É algo que emerge quando deixamos de viver uma vida construída para garantir aceitação.
E isso exige consciência.
E, muitas vezes, acompanhamento.
Cândida Oliveira
Terapeuta | Hipnose Clínica
Consultas presenciais em Albufeira, Faro, Loulé e online
https://candidaoliveira.pt

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