Porque é que algumas mulheres se sentem culpadas quando descansam?
Quando uma mulher sente culpa ao descansar, o problema raramente é preguiça.
Muitas vezes, aquilo que está presente é um sistema nervoso habituado a viver em estado constante de alerta, responsabilidade e adaptação emocional.
Há mulheres que aprenderam muito cedo que o seu valor estava ligado ao que fazem pelos outros. Tornaram-se funcionais, disponíveis, resistentes e capazes de suportar muito mais do que deviam. E durante anos isso pode até ser visto como força.
Mas existe um custo silencioso.
Porque quando uma pessoa vive demasiado tempo focada em resolver, cuidar, antecipar problemas ou corresponder às expectativas dos outros, o descanso deixa de ser vivido como segurança. Passa a ser vivido como desconforto.
Algumas mulheres não sabem verdadeiramente parar.
Quando tentam descansar:
sentem ansiedade;
ficam inquietas;
começam a pensar em tudo o que falta fazer;
ou sentem culpa por não estarem a ser produtivas.
Como se parar significasse falhar.
O problema é que o corpo humano não foi criado para viver permanentemente em modo de sobrevivência emocional.
Mais cedo ou mais tarde começam a surgir sinais:
exaustão, irritabilidade, insónia, tensão corporal, dificuldade em sentir prazer nas coisas simples ou a sensação constante de estar cansada mesmo depois de descansar.
E muitas vezes o mais difícil não é perceber que existe cansaço.
É perceber que a identidade inteira começou a ficar construída em torno da utilidade.
Quando isso acontece, descansar pode ativar uma sensação interna estranha:
“Se eu parar… quem sou eu?”
O reencontro consigo própria não começa apenas com motivação ou pensamentos positivos.
Começa quando a pessoa aprende, lentamente, a criar espaço interno sem sentir culpa por existir para além daquilo que faz pelos outros.
Porque descansar não devia ser um luxo emocional.
Devia ser um estado natural de segurança interna.
Cândida Oliveira
Terapeuta • Hipnoterapia • Meditação Terapêutica
📍 Loulé, Faro e online
www.candidaoliveira.pt

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