Como desenvolver autoestima e deixar de viver em função dos outros.
Muitas pessoas acreditam que autoestima significa sentir-se bem consigo própria.
Pensam em confiança, pensamentos positivos ou em “gostar mais de si”.
Mas, na prática clínica, a autoestima raramente começa por aí.
Na maioria dos casos, o problema não é falta de amor próprio.
É algo mais silencioso:
viver constantemente orientada pelos outros.
Pelas suas expectativas.
Pelas suas reações.
Pelo medo de desiludir.
Quando os outros definem o nosso valor
Muitas mulheres cresceram a aprender algo muito específico:
ser boas
ser responsáveis
ser compreensivas
não incomodar
Sem perceber, começam a organizar a vida em função disso.
Adaptam-se.
Evitam conflito.
Antecipam necessidades dos outros.
E, pouco a pouco, algo acontece:
o seu valor deixa de ser interno.
Passa a depender da aprovação externa.
O problema invisível
Quando a autoestima está organizada desta forma, surge um padrão muito comum:
a pessoa sente-se responsável pelo equilíbrio emocional de todos.
Se alguém fica incomodado, sente culpa.
Se alguém desaprova, sente que falhou.
Se alguém se afasta, interpreta como rejeição.
Não porque seja fraca.
Mas porque aprendeu que manter ligação depende da sua capacidade de adaptação.
Porque é tão difícil mudar
Muitas pessoas sabem racionalmente que deveriam colocar limites.
Sabem que não podem agradar a todos.
Sabem que precisam de cuidar mais de si.
Mas quando tentam fazê-lo, algo acontece:
surge culpa
ansiedade
medo de desiludir
Isto acontece porque o sistema emocional associa adaptação a segurança.
E qualquer tentativa de sair desse papel parece ameaçar essa segurança.
O que significa realmente construir autoestima
Construir autoestima não significa tornar-se mais forte.
Significa reorganizar a forma como o valor pessoal é vivido.
Significa começar a existir sem depender constantemente da validação externa.
E isso implica aprender algo que muitas pessoas nunca tiveram espaço para aprender:
não viver permanentemente em função dos outros.
O que muda durante o processo
Ao longo do processo terapêutico, algo essencial torna-se visível:
o padrão que sustenta este funcionamento.
Quando isso acontece, a culpa começa a diminuir.
A pessoa deixa de interpretar o seu cansaço como falha pessoal.
E começa a recuperar algo fundamental:
a possibilidade de escolha.
Em resumo
A autoestima não se constrói através de frases positivas.
Constrói-se quando a vida deixa de ser organizada em função das expectativas dos outros.
E quando a pessoa pode finalmente existir sem precisar de provar constantemente o seu valor.
Se sente que vive demasiado orientada pelas necessidades e reações dos outros, pode ser útil compreender o padrão emocional que sustenta essa dinâmica.
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