Viver em modo automático: quando deixa de perceber como realmente se sente
Há pessoas que passam tanto tempo a sobreviver…
que deixam de perceber como realmente se sentem.
Acordam.
Fazem o que têm a fazer.
Resolvem problemas.
Continuam.
Por fora, parecem funcionar normalmente.
Mas por dentro, existe uma sensação constante de desligamento.
Como se tudo estivesse a acontecer “em piloto automático”.
E muitas vezes só percebem isso quando o corpo ou a mente começam a dar sinais de cansaço.
O problema não é falta de força
Muitas destas pessoas são fortes.
Habituaram-se a continuar:
- mesmo cansadas
- mesmo sobrecarregadas
- mesmo emocionalmente esgotadas
E durante muito tempo isso parece funcionar.
O problema é que viver constantemente em esforço tem um custo.
E esse custo nem sempre aparece de forma evidente no início.
Quando sobreviver se torna um modo de vida
O modo automático instala-se devagar.
Começa quando a pessoa deixa de ter espaço para si:
- sente, mas não processa
- vive situações difíceis, mas continua
- acumula emoções sem parar para olhar para elas
Até que, a certa altura, já não sabe distinguir:
- o que sente
- o que precisa
- ou até quem era antes de entrar nesse ritmo constante
Viver em modo automático pode manifestar-se de várias formas:
- sensação de mente pesada
- dificuldade em sentir entusiasmo
- irritação constante
- sensação de vazio
- dificuldade em parar
- cansaço mesmo depois de descansar
E muitas pessoas tentam resolver isto apenas “fazendo mais”.
Mais produtividade.
Mais controlo.
Mais distração.
Mas o problema raramente está na falta de esforço.
Parar pode ser desconfortável
Há pessoas que evitam parar porque, no silêncio, começam finalmente a sentir.
E isso pode trazer:
- tristeza
- cansaço acumulado
- frustração
- sensação de desconexão
Por isso, continuar em automático acaba por parecer mais fácil.
Mesmo quando já não faz bem.
O primeiro passo não é mudar tudo
É apenas começar a reparar.
Perguntar a si mesma:
- “Como me sinto realmente?”
- “Há quanto tempo estou só a funcionar?”
- “Quando foi a última vez que me senti verdadeiramente presente?”
Sem julgamento.
Sem pressão.
Apenas com honestidade.
Nem sempre o problema é falta de motivação.
Às vezes, é excesso de sobrevivência.
E talvez o verdadeiro desafio não seja continuar a fazer mais…
mas voltar a sentir-se presente na própria vida.
Se se reviu neste texto,
talvez seja o momento de começar a olhar para isto de forma diferente.
Cândida Oliveira
Terapeuta | Hipnoterapia

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